terça-feira, 24 de fevereiro de 2009

Um nome simbólico - Hugo Pratt

Foi na manhã do meu décimo segundo aniversário.
Antes de sair, o meu irmão, tinha deixado a minha prenda. Uma fábula, uma aventura, um conhecimento muito especial protagonizado pela personagem que todos gostaríamos de ser: Corto Maltese. Falo do livro «Fábula de Veneza», da autoria de um dos maiores romancistas e desenhadores de banda desenhada do séc. XX – Hugo Pratt.
Era Verão, uma manhã quente de Agosto. Eu, sem sequer imaginar a viagem que aquele livro me iria proporcionar, sentei-me displicente num sofá a desfolhá-lo. Página a página fui tomando conhecimento de um mundo de cuja existência nem suspeitava, numa Veneza ocupada pelo exército torcionário de Mussolini.
Num labirinto oculto nos subterrâneos da cidade, «Corto Maltese», o homem impoluto, corajoso, implacavelmente justo e bom, tem por missão encontrar um objecto, um objecto que é um símbolo, um sinal: a «Clavícula de Salomão». Perseguido pelos «guardas negros» de Mussolini, «Corto» refugia-se no secreto gueto judaico de Veneza. Inadvertidamente, «Maltese» vê-se literalmente caído num templo Maçónico enquanto decorre uma sessão de Loja. São estes homens que o hão-de conduzir até à «Clavícula de Salomão», ao mesmo tempo que o protegem e acolhem fraternalmente, mesmo não sendo ele Maçon.

Nessa manhã de Agosto, viajando pelas palavras e desenhos de Hugo Pratt, começaram a formular-se no meu pensamento todas as perguntas sobre esta associação de homens, revestidos de estranhos paramentos, dispostos a combater a tirania de um ditador, organizados em segredo na críptica parte de uma cidade, prontos a ajudar um outro homem a combater pela justiça e pela liberdade. Quem seriam eles? Quem seriam afinal os Maçons e a Maçonaria?
Sem Hugo Pratt talvez não tivessem surgido tão cedo as primeiras pesquisas, os encontros com os primeiros maçons que conheci e que afinal eram os mais próximos familiares, talvez a estante do adolescente que fui não se tivesse composto com os poucos livros disponíveis que então se encontravam sobre a «Construção do Templo».
Nunca mais esta marca se apagou e foi para Hugo Pratt que dirigi o meu primeiro pensamento na «Câmara de Reflexões», no dia da minha Iniciação. É possível que nesse momento, enquanto redigia o «Testamento Filosófico», tenha voltado a ser o menino de doze anos no dia do seu aniversário.

Mais tarde soube da filiação Maçónica de Pratt. Reconheci outros sinais noutros dos seus escritos, como no romance «A Balada do Mar Salgado». Fui, enfim, sabendo da sua relação com os mais altos valores Maçónicos.
Agora que Pratt já partiu para o Grande Oriente Eterno, retomo em sua homenagem a lembrança do primeiro momento de encontro com a Maçonaria. E, não só em homenagem a ele, mas a todos os que resistiram a uma Europa nazi, mantendo acesas as chamas da Sabedoria, da Força e da Beleza, chamo a mim o simbolismo do seu nome. Tomo eu a missão do viajante que procura, mesmo sob as maiores dificuldades, o sublime «Selo de Salomão».

Autor: Hugo Pratt

terça-feira, 17 de fevereiro de 2009

Linguagem simbólica

A Maçonaria, em relação à sua linguagem simbólica, não é original, já que a maior parte dessa mesma linguagem é adaptação de diversas linhas de pensamento e de influência. Mas a imensa riqueza cultural da Maçonaria está alicerçada na ampla flexibilidade e tolerância em relação às diversas correntes de pensamento, admitindo as mais variadas linhas filosóficas que contribuam para a construção de homens de elevados padrões morais, éticos e espirituais. Cada Maçon é, desde o momento da sua iniciação, induzido no caminho do auto-conhecimento e da auto-construção, com base nos seus próprios valores de referência, respeitando o pensamento dos seus Irmãos e buscando o seu próprio crescimento espiritual sem intermediação de ninguém. Os nossos trabalhos têm vindo a ser cada vez mais propiciadores desse caminho que é aberto a todos os seus obreiros. Não existe estrutura forte que não seja baseada na fortaleza de cada um dos seus elementos. Hoje, como sempre, foi dado mais um importante passo nesse sentido.

Autor: Álvaro

terça-feira, 10 de fevereiro de 2009

Porquê René Descartes

Apesar de ter feito inumeras pesquisas e nada ter encontrado de concreto, da ligação física de René Descartes com a maçonaria, muito de seus conceitos tem efeito sobre aquilo que se defende no meio maçónico. Desde a combinação que Descartes fez da geometria com a algebra, conceito muito apreciado pelos maçons, temos a sua filosofia que muito me inspirou procurar mais informações sobre o mesmo. Uma personalidade dominante da história intelectual ocidental, foi um filósofo fisiologista e matemático francês. Cedo na sua vida, descobriu que tinha talento para matemática e filosofia na perseguição da verdade. O esteio da fisiologia de Descartes pode ser resumida por sua famosa frase em latim: “Cogito, ergo sum” (Penso, logo existo).
“Observo em nós apenas uma única coisa que nos pode dar justa razão para nos estimarmos, a saber: o uso do nosso livre-arbítrio e o domínio que temos sobre as nossas vontades. Pois as acções que dependem desse livre-arbítrio são as únicas pelas quais podemos com razão ser louvados ou censurados, e ele torna-nos de alguma forma semelhante a Deus ao fazer-nos senhores de nós mesmos, desde que por cobardia não percamos os direitos que nos dá. Assim, creio que a verdadeira generosidade, que faz um homem estimar-se a si mesmo no mais alto grau em que pode legitimamente estimar-se, consiste somente, por uma parte, em que ele sabe que não há algo que realmente lhe pertença a não ser essa livre disposição das suas vontades, nem por que ele deva ser louvado ou censurado a não ser porque faz bom ou mau uso dela; e, por outra parte, em que ele sente em si mesmo uma firme e constante resolução de fazer bom uso dela, isto é, de nunca deixar de ter vontade para empreender e executar todas as coisas que julgar serem as melhores. Isso é seguir perfeitamente a virtudes.” René Descartes, in 'As Paixões da Alma'

Olhando para uma rica filosofia apresentada nas obras de René Descartes, percebo a grande ligação que há no conceito de alma, e para tanta riqueza de pensamento, ele sempre se refugiava em lugares de severa meditação, sem com isso sentir-se só. Fazia de momentos seus, momentos de ligação com um ser superior. A ligação entre nossos pensamentos encontram-se em momentos de reflexão, em que me vejo só, e para mim estar só, não significa vazio nem solidão, significa circunstância. Enquanto que a solidão para mim, é quando não se consegue encontrar a nossa própria alma, quando nos perdemos de nós mesmos. Descartes teve grande influência no desenvolvimento da filosofia, repercutindo nos estudos da matemática, ciências e também nos campos da justiça e da teologia, influenciando muitos filosofos europeus e tendo muito impacto sendo chamado o pai da filosofia moderna.

Foi esta uma das razões que me levou a adoptar o seu nome “RENÉ”, pensar livremente, com independência, com valorização do homem, com verdade, com generosidade, com justiça, sabedoria e irreverência, enfim, Solidário e Fraterno, com a humildade que me caracteriza.

Autor: René

terça-feira, 3 de fevereiro de 2009

Sociedade humana e harmonia

Será a harmonia por si só o mecanismo central regulador da evolução da sociedade humana? Como evolui uma sociedade regida pelo conceito fundamental da harmonia? Esta, uma questão que se coloca com particular actualidade e acuidade, sobretudo num momento em que a Humanidade está confrontada com as mais diversas formas de intolerância. Daí a importância crescente que a Maçonaria desempenha neste mundo globalizado, em que aos iniciados é conferida a responsabilidade de defender os sublimes valores da Liberdade, da Igualdade e da Fraternidade. Neste panorama global da espiritualidade humana, a Maçonaria merece ser referida de forma muito especial. Enquanto organização iniciática que antes de tudo é, a Maçonaria constitui uma das vias possíveis na procura da Verdade, tendo por principais objectivos, por um lado, o aperfeiçoamento moral dos seus membros e, por outro, o progresso da Humanidade inteira, sendo os seus principais cunhos a harmonia e a tolerância fraternal entre todos os seus membros. É, pois, uma via simbólica que constitui um dos mais potentes motores de aperfeiçoamento da Humanidade, capaz de recriar o homem total que retorna à Unidade Primordial.

Autor: Álvaro